Visitar uma exposição já não significa necessariamente contemplar obras em silêncio. Em cada vez mais museus brasileiros, o visitante pode interagir com instalações que respondem a seus movimentos, ver imagens criadas em tempo real por inteligência artificial ou ser transportado para cenários históricos por meio de realidade virtual. O que antes parecia futurismo hoje é parte da programação regular de museus como o Museu do Amanhã, o MIS Experience e o Museu da Língua Portuguesa.
A fusão entre arte e tecnologia não é nova, mas ganhou velocidade significativa nos últimos dois anos. A demanda crescente por experiências imersivas, combinada com a popularização de ferramentas de IA generativa, criou um terreno fértil para projetos que colocam o público no centro da obra, não apenas como espectador, mas como participante ativo.
IA como ferramenta criativa, não como ameaça
Um dos exemplos mais recentes desta tendência no Brasil é a Lumisphere Experience, instalação apresentada no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Dentro das cúpulas translúcidas montadas na Praça Mauá, a instalação convida o público a imaginar o futuro que deseja viver, combinando arte, tecnologia e ciência para transformar sonhos individuais em imagens criadas por inteligência artificial. Estado de Minas
A idealizadora do projeto, Carey Lovelace, defende uma visão que vai contra o senso comum sobre IA. Ela destaca que “às vezes as pessoas pensam em inteligência artificial com medo, mas é apenas uma ferramenta, como um martelo. Com ela, podemos criar coisas incríveis”. A instalação estará disponível até dezembro e é gratuita, o que amplia o acesso a um público que normalmente não frequenta exposições de tecnologia. Estado de Minas
Museus que já adotaram o modelo
Alguns museus brasileiros têm integrado tecnologias de inteligência artificial em suas exposições, como o Museu do Amanhã, que utiliza a ferramenta para engajar o público em temas relacionados à sustentabilidade e ao futuro da humanidade, e o Museu da Língua Portuguesa, que cria experiências imersivas e educativas sobre nossa linguagem e sua evolução. DIO
O MIS Experience, em São Paulo, foi pioneiro no modelo de exposições imersivas no Brasil. A primeira exposição do tipo aconteceu no MIS Experience em 2019 e trouxe “Leonardo da Vinci: 500 Anos de um Gênio”, evento que alcançou 500 mil visitantes em quatro meses. Desde então, o espaço consolidou um calendário de mostras que usam tecnologia para aproximar o público de artistas como Monet, Michelangelo e Frida Kahlo. IT Forum
O que muda para quem visita
Cauê Alves, curador-chefe do Museu de Arte Moderna de São Paulo, resume bem o que está acontecendo nos espaços culturais. Para ele, as novas tecnologias não impactaram a missão principal dos museus. “O museu continua conservando obras de arte, continua estudando e expondo. Mas agora tem um campo de comunicação muito mais amplo.” IT Forum
Na prática, o visitante que entra em uma exposição imersiva hoje pode ter uma experiência personalizada, navegar por narrativas não lineares e sair com uma impressão muito mais intensa do que aquela que uma visita convencional proporcionaria. A tecnologia serve para aproximar, não para substituir.
O futuro já começou
Iniciativas como o festival Artelligent, realizado na Caixa Cultural de Salvador, mostram que este movimento vai além dos grandes centros. Com obras de artistas nacionais e internacionais, o Artelligent é o primeiro evento no Brasil inteiramente dedicado à interseção entre arte e inteligência artificial, estruturado sobre o tripé arte-ciência-educação, reunindo artistas, pesquisadores e pensadores de diferentes países e áreas do conhecimento. Museus
O que estava restrito a São Paulo e Rio de Janeiro agora alcança capitais do Nordeste, museus universitários e centros culturais de menor porte. A tecnologia, quando bem aplicada, democratiza o acesso à arte e cria pontes onde antes havia distâncias. Esse pode ser o legado mais duradouro desta nova fase dos museus brasileiros.
Fontes: Estado de Minas | IT Forum | Museus Gov BR | DIO
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

