Paulo Roberto Gomes Fernandes, presidente e fundador da Liderroll, percebe que a transição energética em curso está redesenhando as demandas sobre a engenharia de dutos de forma mais profunda do que qualquer outro ciclo de mudança setorial das últimas décadas.
Nota-se que a necessidade de transportar novos vetores energéticos, como o hidrogênio, o biometano e o dióxido de carbono capturado, e de integrar fontes renováveis intermitentes a sistemas de distribuição que exigem continuidade operacional, coloca desafios inéditos para os profissionais e as empresas que atuam no segmento. A infraestrutura que sustentará a economia de baixo carbono precisará ser, ao mesmo tempo, tecnicamente arrojada e economicamente viável.
Acompanhe o texto até o final para entender melhor sobre o assunto!
A demanda por novas infraestruturas de transporte de energia limpa
O crescimento das fontes renováveis de energia criou uma demanda crescente por infraestrutura de transporte que permita equilibrar a geração intermitente com o consumo contínuo. O hidrogênio verde, produzido por eletrólise alimentada por energia eólica ou solar, é um dos vetores energéticos com maior potencial para cumprir esse papel, mas requer infraestrutura de transporte em escala que ainda não existe na maioria dos países. Contudo, a construção de uma malha dedicada ao hidrogênio a partir do zero representa um investimento que dificilmente se justifica economicamente nas fases iniciais de desenvolvimento do mercado.

Paulo Roberto Gomes Fernandes expõe que a adaptação parcial da infraestrutura de gás natural existente para o transporte de misturas contendo hidrogênio representa o caminho mais pragmático para acelerar a penetração desse vetor energético, enquanto os mercados de produção e consumo ganham escala suficiente para justificar infraestruturas dedicadas. A análise técnica e econômica dessa transição gradual é um dos campos mais ativos da pesquisa aplicada em engenharia de dutos no momento atual.
Captura e transporte de CO₂: uma nova categoria de infraestrutura dutoviária
Os projetos de captura, utilização e armazenamento de carbono, conhecidos pela sigla CCUS, estão gerando uma demanda por infraestrutura de transporte de dióxido de carbono que apresenta características técnicas distintas das redes de gás natural. Paulo Roberto Gomes Fernandes esclarece que o CO₂ transportado em estado supercrítico exige pressões operacionais elevadas e materiais com resistência comprovada à corrosão em presença de umidade e impurezas típicas dos fluxos de captura industrial. Nesse sentido, projetos de CCUS em escala regional ou nacional precisarão de malhas dutoviárias que conectem fontes de emissão a locais de injeção geológica ou de utilização industrial.
Paulo Roberto Gomes Fernandes sinaliza que as tecnologias desenvolvidas para dutos de petróleo e gás fornecem uma base técnica relevante para os projetos de transporte de CO₂, mas as especificidades desse fluido exigem adaptações em materiais, procedimentos de inspeção e critérios de projeto que ainda estão sendo consolidados pelas normas internacionais.
Sustentabilidade construtiva e redução do impacto ambiental das obras
A transição energética não se restringe ao perfil dos fluidos transportados: ela também impõe exigências sobre o impacto ambiental do próprio processo construtivo. A redução da supressão de vegetação, o controle rigoroso de erosão em faixas de obra e a adoção de equipamentos de menor emissão nas frentes de construção são dimensões da sustentabilidade construtiva que ganharam peso crescente nas exigências de licenciamento e nos critérios de avaliação de fornecedores.
Paulo Roberto Gomes Fernandes demonstra que tecnologias como o ExoWay, desenvolvido pela Liderroll para instalação em terrenos inclinados com faixa de apenas 1,4 metro de largura, respondem simultaneamente às demandas de eficiência construtiva e de redução de impacto ambiental que definem o padrão esperado para obras de infraestrutura energética na era da transição.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

