O envelhecimento das infraestruturas cemiteriais representa um dos maiores desafios silenciosos da gestão pública e privada no Brasil. Tiago Schietti, especialista no setor funerário, esclarece que grande parte dos cemitérios brasileiros opera com estruturas que ultrapassam décadas de uso intensivo sem a devida manutenção ou atualização normativa. Este texto aborda os principais pontos desse problema: os riscos à saúde pública, os obstáculos à restauração, a adequação às normas vigentes e os caminhos para modernizar esses espaços com responsabilidade técnica e social. Se você atua na gestão de cemitérios ou busca compreender melhor esse setor, continue a leitura e descubra como enfrentar esses desafios de forma estratégica.
Por que o envelhecimento das infraestruturas cemiteriais preocupa tanto?
A deterioração progressiva de cemitérios vai muito além da estética. Estruturas antigas, como jazigos com rachaduras, sistemas de drenagem obsoletos e pavimentações irregulares, comprometem a segurança dos visitantes e dos trabalhadores do local. Além disso, a degradação física pode afetar diretamente o solo e os lençóis freáticos da região, gerando impactos ambientais que exigem atenção imediata.
Tiago Schietti comenta que o problema se agrava quando se considera que muitos cemitérios públicos brasileiros carecem de planos de manutenção preventiva. A ausência de registros técnicos sobre a idade e o estado das estruturas dificulta qualquer diagnóstico preciso, tornando as intervenções reativas em vez de planejadas. Essa lacuna de gestão transforma pequenos problemas em passivos estruturais de difícil resolução.
Quais são os principais obstáculos na restauração de cemitérios históricos?
A restauração de cemitérios, especialmente os tombados como patrimônio histórico, envolve uma série de condicionantes técnicas e legais que tornam o processo complexo. É necessário conciliar a preservação de elementos originais, como mausoléus, esculturas e capelas, com as exigências contemporâneas de acessibilidade, segurança e sustentabilidade ambiental. Esse equilíbrio demanda profissionais especializados e projetos detalhados.
De acordo com Tiago Schietti, outro entrave significativo é o financeiro. A captação de recursos para restauração cemiterial ainda encontra barreiras culturais e políticas, já que o tema raramente ocupa posição prioritária nas agendas de investimento público. Sem fontes estáveis de financiamento, as intervenções costumam ser parciais, paliativas e insuficientes para reverter o quadro de degradação acumulado ao longo dos anos.
Como a adequação às normas atuais impacta a gestão cemiterial?
A legislação brasileira relacionada aos cemitérios evoluiu consideravelmente nas últimas décadas, especialmente com a Resolução CONAMA 335/2003, que estabelece parâmetros ambientais para implantação e operação desses espaços. Contudo, adaptar cemitérios antigos a essas normas representa um desafio técnico considerável. Muitas estruturas simplesmente não foram concebidas para atender aos requisitos modernos de impermeabilização, controle de necrochorume e gestão de resíduos.

Nesse contexto, como frisa Tiago Schietti, a adequação normativa precisa ser tratada como um processo gradual e planejado, e não como uma exigência imediata e generalizada. É fundamental que os órgãos reguladores ofereçam diretrizes claras para a adequação progressiva, considerando as especificidades de cada cemitério e suas limitações estruturais. A rigidez excessiva pode inviabilizar a regularização e empurrar operadores para a informalidade.
Quais caminhos apontam para a modernização responsável desses espaços?
A modernização cemiterial sustentável exige uma abordagem integrada que contemple planejamento técnico, participação social e inovação na gestão. Entre as práticas que têm demonstrado bons resultados, destacam-se:
Entre as iniciativas mais relevantes para enfrentar o envelhecimento das infraestruturas cemiteriais, vale mencionar:
- Elaboração de laudos técnicos periódicos para mapeamento das condições estruturais;
- Implantação de sistemas de drenagem e impermeabilização adequados às normas ambientais;
- Desenvolvimento de planos diretores cemiteriais com horizonte de longo prazo;
- Capacitação das equipes gestoras em legislação ambiental e boas práticas operacionais;
- Adoção de tecnologias de geoprocessamento para controle de ocupação e uso do solo.
Essas ações, quando implementadas de forma coordenada, reduzem significativamente os riscos estruturais e ambientais, além de valorizar esses espaços como parte do patrimônio cultural e afetivo das comunidades.
Qual o papel da gestão profissionalizada na preservação cemiterial?
A profissionalização da gestão é, sem dúvida, o fator mais determinante para reverter o quadro de degradação dos cemitérios brasileiros. Administrar esses espaços requer conhecimento técnico multidisciplinar, que abrange desde engenharia civil e ambiental até direito administrativo e gestão de pessoas. A improvisação, ainda comum em muitos municípios, perpetua ciclos de deterioração que custam cada vez mais para serem revertidos.
Sob essa ótica, Tiago Schietti reforça que investir na formação e na estruturação das equipes responsáveis pela gestão cemiterial é uma das medidas mais eficazes e economicamente viáveis no longo prazo. Um cemitério bem gerido não apenas preserva sua infraestrutura, mas também cumpre sua função social com dignidade, oferecendo às famílias um ambiente seguro, acolhedor e devidamente regularizado.
Infraestrutura cemiterial renovada: um compromisso com o presente e o futuro
O envelhecimento das infraestruturas cemiteriais é um problema real, urgente e que exige respostas qualificadas. Ignorá-lo significa acumular passivos que, com o tempo, tornam-se insustentáveis do ponto de vista financeiro, ambiental e social. A boa notícia é que existem soluções viáveis, desde que haja vontade política, investimento adequado e profissionalização da gestão.
O caminho para cemitérios mais seguros, adequados e dignos passa obrigatoriamente por planejamento de longo prazo, atualização normativa progressiva e valorização do conhecimento técnico especializado. Tratar esses espaços com a seriedade que merecem é, acima de tudo, um ato de respeito às famílias que neles encontram o último elo de memória com seus entes queridos.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

