A literatura de cordel ocupou a CAIXA Cultural São Paulo entre 8 e 12 de outubro de 2026, durante a realização da 7ª Feira do Cordel Brasileiro. Pela primeira vez na capital paulista, o evento reuniu exposição de folhetos, cantorias, recitais, apresentações musicais, atividades formativas e venda de livros, xilogravuras e outros produtos relacionados à tradição popular.
Com programação gratuita e voltada ao público geral, a feira apresentou o cordel a partir de diferentes linguagens. A poesia impressa dividiu espaço com a oralidade, a música e as imagens produzidas pela xilogravura, mostrando como essa manifestação cultural circula entre formatos, gerações e territórios. A programação oficial está disponível na CAIXA Cultural.
Uma feira dedicada à diversidade do cordel
Mais do que uma exposição de folhetos, a 7ª Feira do Cordel Brasileiro foi estruturada como um encontro entre artistas, mestres da cultura popular e público. A agenda incluiu momentos de escuta, apresentação e formação, criando diferentes portas de entrada para quem já conhecia o cordel e também para quem teve contato inicial com essa linguagem em um espaço cultural institucional.
Entre os nomes anunciados estavam Chambinho do Acordeon, Bule-Bule, Antônio Nóbrega, Adiel Luna, Oliveira de Panelas, Fatel, Geovana do Pandeiro e Nireuda Longobard. A presença de artistas ligados à música, à poesia, à oralidade e à produção visual reforçou o caráter múltiplo da programação e a conexão do cordel com outras expressões da cultura popular brasileira.
A venda de livros, matrizes visuais e produtos relacionados ao cordel também aproximou o público dos objetos que ajudam a manter essa tradição em circulação. Nesse conjunto, os folhetos e as xilogravuras aparecem não apenas como peças de exposição, mas como formas de registro, criação e compartilhamento de histórias, versos e imagens.
Tradição popular em espaço cultural de São Paulo
A realização na CAIXA Cultural São Paulo ampliou a presença do cordel em um importante equipamento cultural da capital. A escolha do local permitiu que uma manifestação historicamente associada à produção popular encontrasse novos públicos em uma cidade marcada pela diversidade cultural e pela presença de pessoas de diferentes regiões do Brasil.
O deslocamento da feira para São Paulo também evidencia a capacidade de circulação do cordel. Embora tenha raízes profundas em práticas de poesia, impressão e transmissão oral, a linguagem não permanece restrita a um único território. Ao reunir artistas e mestres em uma programação pública, o evento mostrou como a tradição pode ser apresentada em diferentes ambientes sem perder a relação com seus modos de criação e compartilhamento.
Para o visitante, a programação ofereceu uma experiência que combinou fruição e aprendizado. As cantorias e os recitais destacaram a dimensão oral da poesia; as apresentações musicais aproximaram o cordel do ritmo e da performance; e as atividades formativas contribuíram para explicar processos, referências e técnicas associados a essa produção cultural.
Reconhecimento como patrimônio cultural
A apresentação oficial da feira também menciona o reconhecimento da literatura de cordel como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan. Esse reconhecimento ajuda a contextualizar a importância de iniciativas que promovem o acesso público à produção de cordel e valorizam os conhecimentos relacionados a ela.
O patrimônio imaterial não se resume a objetos preservados. Ele envolve práticas, saberes, formas de expressão e maneiras de transmitir conhecimento. No caso do cordel, essa dimensão aparece na relação entre texto, voz, música, imagem e convivência. Por isso, uma feira com exposições, apresentações e atividades formativas permite observar a manifestação em suas várias etapas e linguagens.
A 7ª Feira do Cordel Brasileiro encerrou sua programação em 12 de outubro, mas deixou como resultado a aproximação entre a cultura popular e o público da capital paulista. Ao levar artistas, obras e atividades para a CAIXA Cultural São Paulo, o evento reforçou que a literatura de cordel continua encontrando novas formas de presença, leitura e escuta no Brasil.

