Para Daugliesi Giacomasi Souza, a decoração de festas infantis ao ar livre reúne desafios técnicos próprios, distintos dos encontrados em buffets fechados. A procura por celebrações em quintais, chácaras, sítios e áreas verdes de condomínios cresceu nos últimos anos, impulsionada pelo desejo das famílias de oferecer às crianças mais liberdade de movimento e contato com a natureza. Nesse formato, a ambientação deixa de depender das paredes e do teto de um salão e passa a dialogar com o céu, o terreno e a vegetação, o que amplia as possibilidades criativas e exige outro nível de cuidado.
O clima como variável central do planejamento
Decorar um espaço externo significa considerar fatores que não entram na equação de ambientes fechados, como vento, insolação direta, variação de temperatura ao longo do dia e possibilidade de chuva. Estruturas decorativas precisam de fixação reforçada, enquanto materiais sensíveis à umidade ou ao calor excessivo tendem a ser descartados ainda na concepção do projeto. Balões, por exemplo, reagem de forma diferente sob sol forte, e papéis delicados podem perder a forma em poucas horas de exposição.
Daugliesi Giacomasi Souza caracteriza esse tipo de planejamento como mais técnico do que costuma parecer à primeira vista, já que cada elemento decorativo precisa ser pensado a partir da sua resistência às condições climáticas do dia do evento. Ter um plano alternativo, como tendas, coberturas removíveis ou uma área protegida para a mesa principal, é apontado como parte indispensável da preparação. Esse cuidado evita imprevistos que comprometeriam tanto a estética quanto a segurança da festa.
Como integrar a decoração ao paisagismo existente?
Um dos aspectos mais ricos da decoração ao ar livre é a possibilidade de dialogar com elementos naturais já presentes no local, como árvores, gramados, canteiros e jardins. Em vez de esconder esses elementos atrás de painéis e estruturas, projetos bem resolvidos costumam incorporá-los à composição visual. Uma árvore pode servir de suporte para luzes e móbiles, um gramado pode receber piqueniques temáticos e um caminho de pedras pode conduzir os convidados até a área principal da festa.

Ao abordar essa integração, Daugliesi Giacomasi Souza sublinha que aproveitar a vegetação e a topografia natural reduz a necessidade de estruturas decorativas pesadas e confere um resultado visual mais orgânico à celebração. A escolha de cores também ganha outro peso nesse contexto, já que tons muito artificiais podem destoar do verde ao redor. Paletas que conversam com a paisagem tendem a criar uma ambientação harmoniosa, com economia de materiais e sem perda de impacto estético.
Segurança redobrada em espaços abertos
Eventos infantis ao ar livre demandam atenção especial a riscos que são menos relevantes em ambientes fechados, como superfícies irregulares, presença de insetos, piscinas ou lagos próximos e exposição prolongada ao sol. Esses fatores precisam ser considerados tanto no planejamento decorativo quanto na organização geral do espaço, porque a disposição dos elementos influencia diretamente a forma como as crianças circulam e brincam durante a festa.
Em relação a esse ponto, Daugliesi Giacomasi Souza frisa a importância de prever áreas de sombra bem distribuídas, delimitar com clareza as zonas de brincadeira e utilizar materiais compatíveis com uso infantil intenso. Fixar bem as peças altas, evitar fios expostos na iluminação e manter a hidratação acessível também figuram entre os cuidados considerados relevantes. O ambiente externo estimula mais movimentação, e a decoração precisa acompanhar essa energia sem gerar riscos.
Celebrações menores e mais afetivas ganham espaço
A busca por festas infantis ao ar livre reflete uma mudança mais ampla no perfil das celebrações contemporâneas, que valorizam encontros menores, convidados próximos e formatos menos convencionais do que o tradicional salão de festas. Junto a esse movimento, cresce o interesse por decorações com elementos reaproveitáveis, peças artesanais e itens que possam ser reutilizados depois do evento, em sintonia com uma preocupação maior com o desperdício.
Na leitura de Daugliesi Giacomasi Souza, essa tendência abre espaço para repensar a decoração infantil a partir de uma lógica menos engessada, em que o próprio lugar passa a contar a história da festa. A fundadora da DGdecor pontua que o caráter afetivo dessas celebrações valoriza detalhes simples e bem pensados, capazes de transformar um quintal comum em um cenário memorável para a criança e para a família.

