Poucas discussões ganharam tanto espaço quanto a fadiga de alerta nas áreas de monitoramento, assunto que Rolando Bonaccorsi, especialista em gestão de operações de TI e excelência em serviços, assinala como risco silencioso de qualquer operação madura. Painéis cheios de avisos sem ação associada ensinam a equipe a tratar notificação como ruído de fundo, e o aviso realmente grave perde a chance de ser percebido no tempo certo.
O problema não nasce de desatenção de quem está de plantão, nem de falta de ferramenta adequada. Ele nasce do acúmulo de regras criadas em momentos diferentes, cada uma com boa intenção e nenhuma com data de revisão marcada. O resultado é um volume diário que nenhuma equipe consegue ler por inteiro, de forma que a triagem passa a ser feita pela intuição de quem recebe.
Como o excesso de alerta se instala na operação
Toda regra de monitoramento começa justificada por um incidente real e recente. Alguém configura um aviso para não ser pego de surpresa novamente. O aviso fica no ambiente por tempo indeterminado e ninguém volta a questionar se o limite escolhido continua válido depois de uma mudança de arquitetura, de versão ou de volume de uso.
Com o tempo, o mesmo evento passa a disparar avisos em camadas diferentes do ambiente. Uma lentidão de banco de dados gera alerta de aplicação, de fila, de tempo de resposta e de uso de recurso, todos apontando para a mesma origem. No entendimento de Rolando Bonaccorsi, a duplicidade cansa mais que a quantidade absoluta de regras ativas, porque obriga a equipe a confirmar várias vezes a mesma informação.
O que distingue alerta de informação?
Alerta pressupõe ação humana imediata e precisa responder a três perguntas antes de existir no ambiente. Quem recebe, o que faz ao receber e qual o impacto de não fazer nada naquele momento. Regra que não consegue responder às três deveria ser registro em painel ou linha de relatório, nunca notificação enviada para alguém no meio da madrugada. O teste é simples de aplicar e raramente é feito antes de publicar uma nova regra.
Severidade também precisa de critério objetivo, ligado a impacto em serviço e não a componente técnico isolado. Disco cheio em um servidor sem usuário ativo não é urgência, enquanto fila travada em pagamento é urgência evidente. Como salienta Rolando Bonaccorsi, a classificação precisa refletir o que o negócio perde quando aquele sintoma aparece.
Ruído alto esconde o aviso que importa
Equipes submetidas a volume alto desenvolvem filtros informais de sobrevivência, quase sempre sem perceber. Certos avisos passam a ser fechados em lote, outros ganham regra de caixa de entrada e alguns simplesmente deixam de ser olhados durante o turno. Nenhuma dessas escolhas aparece em procedimento, ainda assim todas moldam o comportamento real do plantão. A operação passa a funcionar com um filtro invisível que varia conforme quem está na escala naquela semana.
O custo aparece no incidente seguinte, quando a investigação mostra que o primeiro sinal chegou com antecedência confortável e foi tratado como mais um aviso comum. Rolando Bonaccorsi adverte sobre a leitura equivocada desse episódio, já que a conclusão tende a culpar o profissional em vez de revisar o desenho que produziu o ruído.
Revisar regras é tarefa contínua
Operações que controlam o volume de avisos tratam a revisão como rotina, com responsável definido e periodicidade acordada. Cada regra passa por avaliação de utilidade, com base em quantas vezes disparou no período, quantas vezes exigiu ação concreta e quantas vezes foi fechada sem nenhuma intervenção técnica registrada no histórico.
Indicadores simples sustentam a conversa com a gestão. Taxa de alertas acionáveis, tempo médio até a primeira ação e proporção de avisos fechados automaticamente mostram se o monitoramento está ajudando ou atrapalhando o time. O acompanhamento dessas medidas é o caminho que Rolando Bonaccorsi sintetiza como forma de reduzir regra sem perder cobertura.

